
Conheça mais sobre as estações ferroviárias da Mogiana
As estações ferroviárias da Mogiana possuem uma história que contém mais de 100 anos. Carregando consigo as mudanças que ocorreram no país durante esse tempo, elas são um patrimônio cultural que envolve também várias regiões.
Sendo a primeira estrada de ferro a cruzar os limites do estado de São Paulo, por cada cidade que passou, trazia junto o desenvolvimento e a conexão entre as pessoas. Sua trajetória peculiar acabou se tornando um registro de como certas cidades floresceram e prosperaram, tudo graças ao avanço das linhas ferroviárias no país.
Índice do Conteúdo
Companhia Mogiana das Estações de Ferro
As estações ferroviárias da Mogiana têm sua criação no contexto do Brasil imperial, durante a década de 1870. Criadas pelo interesse econômico no transporte de café, tiveram seu planejamento iniciado em 1872, com sua primeira estação e ramal sendo construídos em 1875, em Campinas/SP.
Com o objetivo de alcançar o oeste paulista, a Estrada de Ferro logo foi ampliada. Apesar de vários obstáculos no caminho, devido a alta competitividade que vinha de financiamento estrangeiro e na época prejudicava a Companhia, a empresa conseguiu se expandir de maneira praticamente contínua até a década de 1930.
Logo atingindo o sul mineiro em 1889, as estações ferroviárias da Mogiana foram sendo construídas em cidades como Poços de Caldas, Uberaba, Jaguara e Araguari. Dentre as cidades paulistas que foram afetadas pelas linhas estão Casa Branca, Mogi Mirim, Franca, Ribeirão Preto e Jaguaríuna (antigamente chamada de Jaguari).
Durante aquele período era um tanto surpreendente a construção de tantos ramais através de uma só companhia brasileira. Tendo começado utilizando o terreno da Cia Paulista para poder realizar suas atividades, as estações ferroviárias da Mogiana ganharam seus próprios prédios em apenas alguns anos, passando por uma expansão que quase cortou o monopólio britânico do Porto de Santos.
A tecnologia envolvida nas estações ferroviárias da Mogiana ajudavam a permitir esse tipo de expansão. Misturando trens importados com trens da sua própria frota – 20 ao todo, devido a alta especialização que tinha dentro de suas oficinas, a Companhia era capaz de criar uma estratégia logística surpreendente para a época.
Sem falar também que as estações ferroviárias da Mogiana usavam bitolas econômicas que eram inusitadas para aquele tempo, com isso criando o processo de baldeação nas cidades promovendo a construção de prédios e terminais que ajudaram por muito tempo no desenvolvimento das cidades.
Dentre outros prédios que foram construídos para as estações ferroviárias da Mogiana, e que chegaram a fazer grande diferença cultural e social nas cidades envolvidas, estão as oficinas de ferrovia, as usinas geradoras, as pontes hidroferroviárias, escritórios e armazéns. Essas situações permitem um fluxo maior de pessoas entre as cidades, junto com mais empregos e maior movimentação de capital.
Estação ferroviária da Mogiana em Amparo

Sendo a primeira estação ferroviária da Mogiana construída, a estação de Amparo da cidade central até Jaguari (Jaguariúna), carrega até hoje consigo uma história de peso.
Tratando-se de um trecho que foi posteriormente expandido para Monte Alegre, era um ramal que foi construído perto da parte urbana da cidade de Amparo. Isso não era comum na época, visto que seria mais apropriado uma estação que fosse no campo, afastada da cidade para que o fluxo não fosse atrapalhado. Porém, por medidas econômicas, a Companhia decidiu fazer o prédio próximo ao centro da cidade.
Durante os anos o prédio foi alterado de lugar, porém sempre saindo da cidade. O edifício carrega o que todos os outros prédios das estações ferroviárias da Mogiana tinham: o cuidado com a beleza e grandes proporções. Com estilo industrial europeu, uma tradição que se manteve até mesmo com o último prédio feito em 1938, grande para as proporções comuns de uma estação ferroviária, o prédio foi oficialmente fechado junto com o ramal em 1977.
Como foi uma das estações mais importantes em toda a Estrada de Ferro, permaneceu próximo ao centro da cidade, e em 2016 já serviu também como centro de lazer. Tudo isso mostra como é importante manter a história dessas estações ferroviárias da Mogiana, que possuem tanto significado para cada lugar que fez parte.
Estação São Sebastião do Paraíso

Inaugurada em 1914, já fazendo parte das ferrovias que marcariam o fim da expansão da companhia, a Estação São Sebastião do Paraíso serviu as estações ferroviárias da Mogiana até 1977.
Contanto com uma história peculiar, na qual seu nome e local de prédio foram alterados algumas vezes, a estação pertencia a um fazendeiro que acabou sendo esquecido ao longo dos anos quando o local foi passado por herança geração por geração. Com uma reforma feita em 1923, o local permanece até hoje, mais ou menos da maneira como foi deixado. Em 2014, funcionava como Casa da Cultura do Município.
Estações ferroviárias da Mogiana em Minas Gerais

Construídas para atender fazendas, as estações ferroviárias da Mogiana em Minas Gerais também possuem uma história própria.
Uma das principais estações é a de Guaxupé, que servia como ponto de distribuição entre os ramais, pois permitia várias manobras que davam acesso a outros ramais e estações, dentre eles o de Juréia, o de Passos e o de Biguatinga. Relatos contam que em 1940, a estação já possuía girador de locomotivas. Foi o único inclusive que foi construído em território mineiro, tendo sido fechado na primeira metade dos anos 1960.
Os prédios hoje se encontram em condições relativamente conservadas, e essas condições demonstram como a história dessas ferrovias sobrevive até hoje. É trabalho das pessoas que fizeram parte dessa história e das pessoas que viveram em volta dessas construções.
Porém, o patrimônio cultural regional é algo a ser respeitado por todos os brasileiros que têm interesse em uma história tão importante como essa da Estrada Ferro feita pela Mogiana. Com a devida atenção aos detalhes que fizeram dessa Companhia uma empresa que tocou e ajudou as pessoas, é possível valorizar uma história como essa.