Malha ferroviária

Expansão ferroviária brasileira: É o futuro?

Para que o Brasil tivesse o cenário ferroviário que tem nos dias de hoje, foram necessárias uma série de mudanças, principalmente estruturais. Construída para o transporte do café, ainda no século XIX, a primeira ferrovia do Brasil, a Estrada de Ferro Mauá, é completamente diferente das ferrovias que temos atualmente.

O artigo a seguir tem como objetivo comparar algumas décadas marcantes para a expansão ferroviária brasileira, começando pelos anos 1990, em que ocorreram importantes mudanças no modelo logístico ferroviário. Para entender melhor como é a história do transporte ferroviário no Brasil e compreender como ele se estabeleceu desde a criação da primeira ferrovia, acesse esse conteúdo, onde falamos sobre a história das ferrovias nacionais. 

Por que comparar as décadas?

Por que comparar as décadas?. Expansão ferroviária

A expansão ferroviária depende de diversos fatores, principalmente da existência de novos investimentos em construções ferroviárias, aprimoramento das infraestruturas e compreendimento das vantagens logística desse modal de transporte.

No século XX, principalmente no início, as ferrovias eram o principal setor de transporte do país, levando produtos importantes para os municípios e também para os portos de exportação. 

Com o desenvolvimento do setor rodoviário, esse cenário mudou e as rodovias passaram a ser as principais vias para o crescimento da exportação e do abastecimento de insumos. Na década de 1960, por exemplo, o governo de Juscelino Kubitschek implantou planos para expandir ainda mais as rodovias, praticamente deixando de lado as ferrovias.

Como o setor ferroviário dependia de aporte público para o seu crescimento, ele perdeu força e começou a ser abandonado. Esse cenário só teve uma mudança significativa na década de 1990, quando o modelo de investimento no setor foi modificado.

Com a mudança, que explicaremos mais à frente, as ferrovias voltaram a receber investimentos significativos e os governos vigentes passaram a olhar com mais atenção para o setor, buscando formas de aumentar a expansão ferroviária.

Expansão ferroviária na Década de 90

Década de 90 Expansão ferroviária

Até esse período da história brasileira, as ferrovias eram construídas e administradas exclusivamente pelo poder público. Como os governos focaram na expansão do setor rodoviário, os investimentos nas linhas férreas caíram, sucateando estações, trilhos e trens. 

No início da década, em 1992, o então presidente Fernando Collor implementou, com sua equipe, o  Programa Nacional de Desestatização. Esse programa foi criado para que empresas públicas pudessem ser acionadas ou administradas pelo setor privado.

O programa, que só foi posto em prática em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso, teve impacto direto no setor ferroviário. As ferrovias, que antes pertenciam exclusivamente ao poder público, passaram a receber concessões, ou seja, empresas privadas poderiam investir nas linhas ferroviárias, administrando-as durante um período previamente estabelecido na concessão.

Após o início do processo de desestatização das ferrovias, diversas linhas foram leiloadas já em 1996 e passaram a ser administradas por empresas privadas do setor logístico de transporte. 

Esse projeto foi essencial para o aceleramento da expansão ferroviária e para a diminuição dos custos efetivos do governo com isso, criando condições para que as linhas sucateadas fossem revigoradas e recebessem novos incentivos. 

Ainda na década de 1990, mais de 28 mil km de extensão da linha ferroviária, ou seja, toda a extensão, foi “entregue” à iniciativa privada, totalizando 11 malhas ferroviárias. Confira quais são as empresas que arremataram os leilões nesse período:

  • Ferrovia Novoeste S.A.
  • Ferrovia Centro-Atlântica S.A.
  • MRS Logística S.A.
  • Ferrovia Tereza Cristina S.A.
  • Companhia Ferroviária do Nordeste
  • Companhia Ferroviária do Nordeste
  • Ferrovia Sul-Atlântico S.A.
  • Ferrovias Bandeirantes S.A.
  • Companhia Vale do Rio Doce

Década de 2000

Década de 2000

Os anos 2000 são considerados por muitos especialistas como uma época de expansão ferroviária, principalmente devido ao aumento dos investimentos no setor.

Com a consolidação do modelo concessionado, o setor ferroviário passou a receber capital da iniciativa privada, essencialmente das empresas concessionárias, e também continuou recebendo aplicações por parte da iniciativa pública.

A década de 2000, principalmente a partir do ano de 2003, foi um período de expansão ferroviária, pois o “boom” da globalização tornou isso necessário, como já foi afirmado por representantes das principais associações de transporte ferroviário do país, como a  Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) e a Associação Nacional do Transportes Ferroviário (ANTF).

Com o aumento da demanda por conta da globalização, principalmente em relação à exportação, o setor ferroviário passou a ter papel fundamental e os investimentos começaram a crescer.

Segundo dados da ANTF, no período de 1997-2007, os investimentos para melhoria do setor ferroviário cresceram em cerca de 87,6%, o que totalizou 14,4 bilhões de reais injetados na infraestrutura do segmento.

O crescimento do transporte de cargas também foi expressivo. Nesse mesmo período, a tonelada transportada por quilômetro útil sofreu aumento de 84,7%, enquanto o volume de cargas transportadas aumentou 75,4%.

Além do crescimento nos investimentos e no aumento das cargas transportadas, outro fator de sucesso do processo de desestatização das linhas ferroviárias foi o decréscimo dos acidentes. Se em 1997 ocorreram 75,5 acidentes por milhão de trens/km, esse número chegou perto de 16 no fim da década, uma melhoria considerável.

Por fim, a década de 2000 – 2010 foi marcada pelo leilão de mais uma concessão importante. Em 2007, um trecho da Ferrovia Norte-Sul foi leiloado para a empresa Vale, única participante do leilão, pelo valor de 1,478 bilhões de reais.

Anos 2010

Anos 2010

Nesse período passou a existir uma percepção muito grande de que o setor ferroviário tinha uma logística muito mais benéfica para as empresas. Parte dessa percepção se deu devido aos custos do transporte e do frete, atrelados às quantidades de cargas que poderiam ser carregadas, favorecendo as ferrovias em detrimento das rodovias. 

Com isso, os investimentos para que a expansão ferroviária seguisse a todo vapor continuaram aumentando. Entre 2006 e 2015, os investimentos chegaram a 40 bilhões de reais.

Para que ocorra a expansão ferroviária da forma que imaginamos, os investimentos realizados devem estar atrelados a bons resultados de produção e de capacidade de transporte, além de melhorias consideráveis na infraestrutura das linhas, o que foi verificado nos últimos anos.

De acordo com a ANTF, por exemplo,  houve um aumento de 195% na quantidade de locomotivas existentes, de 1997 a 2019. Já o número de vagões no mesmo período passou de 43.816 para 115.434, uma alta de 163%.

Um fator determinante para a expansão ferroviária nessa década foi a inserção da empresa RUMO Logística no setor ferroviário. A empresa é atualmente a maior do ramo, possuindo o mais elevado número de quilometragem de linhas ferroviárias do país.

Em 2019, por exemplo, a RUMO arrematou um leilão de um trecho da Ferrovia Norte-Sul, cerca de 1,5 mil km. O último leilão que havia ocorrido no país foi em 2006, quando a VALE arrematou outro trecho da Ferrovia Norte-Sul.

Projeções até 2030

Projeções até 2030

As concessões ferroviárias têm duração de 30 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 30. Como as primeiras concessões foram realizadas em 1996, existe uma possibilidade de grandes mudanças nas linhas nos próximos anos, visto que as concessões se encerram em 2026.

Apesar dessas possibilidades, uma coisa é certa: é necessário continuar a aprimorar a expansão ferroviária. 

Especialistas do ramo de transporte seguem afirmando que a solução para a melhoria do escoamento de cargas nas diversas regiões brasileiras, e também para os portos de exportação, é o crescimento dos investimentos em ferrovias, pois os custos e a quantidade de cargas das viagens são vantajosos.

Com isso, não é só o setor privado que está mais atento com a expansão ferroviária. O governo, vendo essas possibilidades de crescimento, principalmente em relação à exportação, planeja investir maciçamente na infraestrutura de linhas existentes e na criação de novos trechos férreos. 

Em 2020, o Ministério da Infraestrutura previu em seu balanço de investimentos um montante de 30 bilhões a serem investidos no setor ferroviário nos próximos cinco anos.

Diversos fatores são importantes para que esse investimento público seja feito no setor ferroviário. O mais determinante para que ocorra a expansão ferroviária é a necessidade de ampliar o escoamento de produtos relacionados ao agronegócio, principal produtor de insumos para exportação do país.

O agronegócio depende, atualmente, do setor rodoviário para conseguir o escoamento desejado, o que aumenta os custos logísticos e prejudica a capacidade de distribuição.

Visando um crescimento desse setor produtivo, a solução está nas ferrovias, como você pode observar melhor clicando aqui.

Com isso, a projeção governamental é de que, para atingir os índices de escoamento ideais, seja necessário que o setor ferroviário represente 30% da matriz de transportes do país, o que seria o dobro do representado atualmente.

Conclusão sobre a expansão ferroviária

A expansão ferroviária é uma necessidade cada vez maior para o Brasil. Se compararmos o tamanho da linha ferroviária brasileira com a de outras potências econômicas mundiais, como EUA e China, o Brasil fica muito atrás, o que dificulta o desenvolvimento nacional. Essa expansão está totalmente atrelada ao nível de investimento feito no setor, e governantes e empresas privadas estão percebendo que a solução é aumentar a injeção de capital para o crescimento de infraestrutura e de qualidade das malhas ferroviárias do Brasil.

fontes: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/governo-espera-atrair-r-528-bilhoes-em-investimentos-em-ferrovias-em-2020-saiba-como/#:~:text=Segundo%20o%20PPI%2C%20a%20ferrovia,milh%C3%B5es%20de%20toneladas%20at%C3%A9%202050.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2020-02/governo-preve-investimento-de-r30-bi-em-ferrovias-nos-proximos-5-anos

https://www.gov.br/pt-br/noticias/transito-e-transportes/2020/08/governo-federal-investe-em-ferrovias-para-melhorar-o-escoamento-da-producao

https://www.terra.com.br/noticias/dino/transporte-ferroviario-cresceu-nos-ultimos-anos-e-ainda-tem-potencial-a-ser-explorado,e4b2ef064e4d4e57cd4893e9514bad6f3d8reeu4.html

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0410200718.htm

https://www.ilos.com.br/web/tag/transporte-ferroviario-de-carga/

https://www.logweb.com.br/com-dados-desde-1997-antf-destaca-evolucao-do-transporte-ferroviario-brasileiro/

https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=1264:reportagens-materias&Itemid=39

https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/14136/2/BNDES-Setorial-46_Ferrovias_P.pdf

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